O lado oculto da diversão

Setembro 18, 2007

O «rito» da discoteca – Um «sabat» moderno

Arquivado em: divertimentos, infradimensão, juventude, loucura, rito, ritual, sociedade, sombra, trevas — diversaoj @ 11:10 pm

Carlo Climati
Os jovens e o esoterismo
Lisboa, Paulinas, 2001
Excertos adaptados

 

O «rito» da discoteca
 

Um dos elementos mais tristes que se podem destacar das novas modas que cativam o interesse dos jovens é, sem dúvida, o regresso ao primitivismo e ao tribalismo, ou seja, a morte da civilização, para aceder a uma dimensão em que o homem deixa de ser homem e opta por se tornar um animal, guiado apenas pelos próprios instintos. Foi precisamente isso que aconteceu num dos rituais da Igreja de Satanás americana.

Uma das expressões mais evidentes deste fenómeno consiste no mundo das discotecas e das «rave» onde, nos últimos anos, tem acontecido de tudo um pouco, mais uma vez, como é natural, à custa dos próprios jovens.

Um «sabat» moderno

A discoteca pode ser considerada um grande «rito esotérico» de massas. Um grupo de pessoas reúne-se em determinado ambiente, aberto ou fechado, para se mover ao ritmo frenético de uma música ensurdecedora, que não permite qualquer tipo de comunicação verbal. É o triunfo da bestialidade sobre o ser humano, que retrocede para um nível primitivo. Uma definição perfeita do cenário da discoteca foi dada pelo psiquiatra Jean-Paul Regimbal no seu livro Il Rock’n'roll: «Isolados uns dos outros por uma música ensurdecedora, expostos a feixes de luz ofuscantes, os dançarinos fazem tudo o que lhes passa pela cabeça, sem nunca se olharem nem dirigirem a palavra, como se cada um se movesse frente a um espelho, gritando sem cessar: “Eu! Eu! Eu!”»[ 1].

Outro psiquiatra, Vittorino Andreoli, definiu a discoteca como «uma catedral primitiva», em que tem lugar «um grande rito de transformação colectiva»[

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