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A luta pela sobrevivência
Outro tema recorrente nos jogos de vídeo é a luta pela sobrevivência. O jogador tem de se confrontar com contínuos desafios de morte para conseguir manter-se vivo, aumentando, ao mesmo tempo, o seu poder. O problema é que esta luta se transforma, por vezes, numa verdadeira educação para a violência e para o espezinhamento dos outros.
A mensagem transmitida aos jovens é clara: para sobreviver e conquistar o poder é lícito fazer seja o que for: destruir, espancar, ultrapassar, matar ou esmagar os próprios adversários. Não importa aquilo que se faz. O que conta é alcançar os próprios objectivos. Bem-vinda seja a «morte» dos outros, se ela representa a nossa vida. Tudo isto é certamente horrível, mesmo quando se trata de um jogo.
Eis como a revista K descreve o jogo de vídeo Rocket Jockey, centrado num desporto extremamente violento: «Os jogadores pilotam foguetões velocíssimos numa corrida sem regras, em que só os mais fortes e experientes conseguem chegar à meta. De facto, os foguetões só se podem curvar jogando cabos contra paus espalhados ao longo do percurso, de modo a fazerem de apoio. Prontidão de reflexos e de tempo são, portanto, indispensáveis, tendo também presente que os cabos podem ser utilizados para fazer cair os adversários» [1].
Nesta descrição ressaltam dois conceitos verdadeiramente negativos: a «corrida sem regras» e a ideia que «só os mais fortes e experientes conseguem chegar à meta». Os jovens aprendem assim a acreditar que, para ter êxito, tudo é permitido, até as formas de comportamento incorrecto. No fim, os mais fortes triunfam sobre os mais débeis. Eis um tema recorrente na filosofia subjacente a muitos jogos de vídeo. Quem bate com mais força é quem vence.
Há ainda outros jogos de vídeo de conteúdo satânico e negativo, presentes na Internet. Uns simulam o mecanismo de suicídio da «roleta russa», outros jogos inspiram-se na triste moda do lançamento de pedras dos viadutos das auto-estradas. Fazendo «clic» no rato, é possível atirar pedras sobre automóveis em andamento [2]. Num outro, o jogador tem de escolher cartas que correspondam aos nomes de personagens famosas, das quais se prevê a morte iminente. Cada previsão de morte certa vale um ponto. Para estar sempre actualizado quanto à saúde das estrelas sobre as quais apostar, pode-se consultar um site que contém os boletins médicos oficiais e não oficiais de muitas celebridades [3].
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Continuação: O papel do bruxo
[1] «Rocket Science», in K, Junho, 1996.
[2] F. GIOVANNINI, Necrocultura. Estetica e cultura della morte nell”immaginario di massa , Castelvecchi, Roma, 1998, p. 127.
[3] F. GIOVANNINI, Necrocultura. Estetica e cultura della morte… pp. 127-128.
Carlo Climati
Os jovens e o esoterismo
Lisboa, Paulinas, 2001
Excertos adaptados