O lado oculto da diversão

Setembro 18, 2007

As séries esotéricas – As três bruxas “boas”

Arquivado em: bruxaria, diabo, divertimentos, filmes, juventude, magia, paganismo, ritual, sedução, sombra, televisão, trevas — diversaoj @ 10:27 pm

Carlo Climati
Os jovens e o esoterismo
Lisboa, Paulinas, 2001
Excertos adaptados

 

Os telefilmes esotéricos

Quando se fala de televisão, outro aspecto que não deve ser subestimado é o dos telefilmes com temas esotéricos, que têm vindo a alcançar grande êxito entre os jovens. O seu denominador comum é apenas um: a confusão entre o bem e o mal.

Certos telefilmes para jovens fazem-nos acreditar na existência de bruxas «boas». Isto é absolutamente falso porque, como já expliquei no início deste livro, não existe uma «magia boa». A magia é sempre negativa, e por isso também as bruxas o são.

A televisão, pelo contrário, obstina-se em transmitir o contrário, gerando confusão na mente dos jovens.

As três bruxas «boas»

Entre as séries esotéricos apreciada pelos jovens é certamente “As feiticeiras”, que tem por protagonistas três irmãs magníficas, dotadas de poderes mágicos. Prue (interpretada pela actriz Shannen Doherty) tem a faculdade de mover objectos com o olhar, Piper (Holly Marie Combs) tem o poder de fazer parar o tempo e Phoebe (Alyssa Milano) é capaz de prever o futuro.

Este telefilme é seguido por muitos jovens, sobretudo devido à presença de Shannen Doherty e Alyssa Milano, duas belíssimas actrizes, que já tomaram parte noutras séries juvenis. Shannen Doherty contava-se entre as protagonistas de Beverly Hills 90210, ao passo que Alyssa Milano actuou em Melrose Place.

Nest série, as três raparigas são as últimas descendentes de uma família de «feiticeiras boas». Utilizam os seus poderes mágicos para combater o mal, o que constitui, mais uma vez, uma mensagem enganadora. Os jovens, que seguem esta série com grande paixão, são novamente levados a acreditar na ideia da magia «boa».

A magia é aqui representada como um instrumento positivo, que permite resolver os problemas da humanidade. Esta falsa mensagem a favor de um presumível «esoterismo bom» é reforçado por alguns elementos deturpados, que ajudam a confundir ainda mais a mente dos jovens.

Antes de mais, as três irmãs são meigas e sensíveis, e estão sempre disponíveis e prontas a intervir a favor das pessoas em dificuldades. Gostam de crianças e correm sempre em sua ajuda. Além disso, têm um grande sentido da família. Comovem-se quando vêem as velhas fotografias do álbum familiar ou os filmes de quando eram pequenas. Em certo episódio, conseguem mesmo regressar ao passado e abraçar com ternura a mãe e a avó. Em suma, são precisamente três «raparigas-modelos».

O grande engano reside, precisamente, nessas falsas mensagens de «bondade» que bombardeiam os jovens telespectadores. É como se uma voz repetisse continuamente a partir do pequeno ecrã: «As bruxas são boas. As bruxas são meigas. As bruxas são muito bonitas. A magia não faz mal. Existe uma magia positiva. Devemos acreditar na magia.»

É verdade que as três irmãs são boas e ajudam as pessoas.

Contudo, a solução para os problemas com que se confrontam não reside na sua simpatia, inteligência ou empenhamento pessoal. Quando Prue, Piper e Phoebe estão em dificuldades, recorrem ao Livro das Sombras, antigo volume que contém as fórmulas mágicas que devem ser pronunciadas para lançar os feitiços. Assim, a solução para cada problema é a magia. Uma bruxaria «boa», que não faz mal. É esta a mensagem negativa que o telefilme apresenta constantemente.

A bela Prue chega mesmo a ostentar um pequeno fio com um crucifixo: eis mais uma mensagem enganadora para os jovens, porque a magia não pode, de modo algum, ser conciliável com o cristianismo.

Trata-se de um truque utilizado com frequência por astrólogos, magos e feiticeiros, que fingem ser cristãos para tranquilizar os seus ingénuos clientes. Nos seus estúdios é fácil encontrar estatuetas de Nossa Senhora e imagens do Padre Pio ou do Papa João XXIII. Deste modo, o cristianismo confunde-se com a magia numa estranha mistura de sabor blasfemo. O objectivo, mais uma vez, é enganar as pessoas ingénuas e em dificuldades, que recorrem aos magos.

segue: O resultado da série “As feiticeiras”

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