O lado oculto da diversão

Setembro 18, 2007

As séries esotéricas III – A caçadora de vampiros

Arquivado em: bruxaria, diabo, filmes, inferno, magia, paganismo, rito, ritual, sombra, televisão, trevas, violência — diversaoj @ 10:12 pm

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Outro telefilme muito popular entre os jovens é Buffy, actualmente em emissão em Itália. É a história de uma adolescente «eleita» para se tornar caçadora de vampiros. Durante o dia, Buffy frequenta uma escola na Califórnia do Sul, e leva uma vida completamente normal. À noite, porém, envolve-se em lutas renhidas com vampiros e monstros, os quais vence recorrendo às artes marciais.

Também a série está cheia de elementos esotéricos e neopagãos. A sua principal característica negativa, porém, é a confusão entre o bem e o mal. Buffy, com efeito, é aparentemente uma personagem positiva. Mas depois, na sua luta pessoal contra os vampiros utiliza a mesma violência que os seus inimigos. Quando combate parece um boneco. Move-se ao estilo dos jogos de vídeo, em que bons e maus se massacram mutuamente, sem distinção.

Buffy até usa um crucifixo suspenso de um fio. Eis um elemento enganador, já antes encontrado É uma mensagem falsa, que confunde as ideias do público. De facto, neste telefilme, não se verifica a existência de princípios do cristianismo.

A cruz, no máximo, é utilizada como instrumento para assustar ou torturar os inimigos. Num episódio, por exemplo, Buffy mete-a na boca de uma vampira para forçá-la a confessar. É uma das muitas cenas que comprovam o mau gosto desta série televisiva.

Contudo, a série também tem alguns elementos positivos. Buffy está apaixonada por Angel, um vampiro que se tornara «bom» na sequência de um sortilégio que lhe restituíra a alma. No telefilme, Angel é muitas vezes atormentado pelos sentimentos de culpa pelo mal cometido no passado. Reconhece os seus erros e procura lutar pelo bem da humanidade. Nos combates contra os demónios e os monstros, porém, mantém-se igualmente cruel e violento.

Personagem inquietante é o senhor Giles, bibliotecário da escola, que serve de «guia» a Buffy. Também ele faz parte do grande «caldo televisivo» em que o bem se confunde com o mal, característica fundamental de toda a série.

O senhor Giles é a personagem que mais põe em destaque a natureza neopagã do telefilme. Num dos episódios, o bibliotecário apresenta uma versão muito pessoal das origens do universo, dizendo que, «contrariamente à mitologia popular, este mundo não começou como um paraíso». Segundo o senhor Giles, originalmente a terra era povoada por demónios, que mais tarde viriam a ser substituídos pelos seres humanos. Antes de descer ao Inferno, o último demónio mordeu um homem, misturando o sangue da vítima com o seu. Assim nasceu o primeiro vampiro.

A missão dos vampiros, segundo aquilo que conta o telefilme, seria tornar os homens escravos, a fim de preparar o regresso dos demónios à Terra[1]. Assim têm início as lutas contínuas entre a jovem caçadora e os seus inimigos.

À volta da escola de Buffy, acontece de facto um pouco de tudo, Há mortos-vivos, lobisomens, bruxas, ocultistas, seitas satânicas, demónios e monstros de vários tipos, portanto, a sensação transmitida pelo telefilme é de angústia e desconfiança. Por detrás do rosto sorridente de cada aluno ou professor poderia esconder-se um monstro, um vampiro ou um demónio, pronto a escravizar a humanidade.

[1] M. INTROVIGNE, «Buffy l’acchiappavampiri», in Avvenire, 11 de Fevereiro, 1999.

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Carlo Climati
Os jovens e o esoterismo
Lisboa, Paulinas, 2001
Excertos adaptados

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