capítulo anterior: O «rito» da discoteca – O êxtase diabólico
Os meios de comunicação gritam «escândalo!» quando um jovem morre depois de ter ingerido uma pastilha de ecstasy. As pessoas são tomadas de surpresa frente ao contraste estridente entre a ideia de divertimento e a ideia de morte. Na realidade, há pouca razão para nos surpreendermos. Também isso parece fazer parte do «rito».
Se examinarmos com atenção os convite oferecidos aos jovens como publicidade às festas em discotecas ou às «rave», poderemos descobrir pormenores inquietantes. Muitos deles contêm mensagens de transgressão, quer visíveis quer verbais: a morte, o demónio, símbolos satânicos, bruxaria, ocultismo e muitas frases com conteúdo negativo e niilista.
Entre os muitos cartões que anunciam festas «rave», por mim recolhidos ao longo dos últimos anos, houve um que me impressionou de forma particular. Reproduz uma frase de sabor enigmático: «Não há que temer as aventuras do espírito que revelam o acesso à felicidade.»
A que «aventuras do espírito» se refere? Para o sabermos, basta reparar num canto do mesmo cartão, onde está impresso o «seiscentos e sessenta e seis», número bíblico do Anticristo. A «felicidade», portanto, seria a do satanismo e do «Faz o que quiseres».
Estes prospectos de convite, cheios de cores vistosas, são o espelho daquilo que os jovens poderão encontrar depois de terem atravessado o limiar dos locais anunciados: a não-cultura do «nada». E então, não é de surpreender que um certo tipo de ambiente se torne o recanto ideal para o consumo de droga e bebidas alcoólicas. Já tudo foi escrito, projectado e estudado à secretária pelos habituais «abutres» que pretendem enriquecer à custa dos jovens.
Contudo, o problema mais grave da discoteca não é a presença da droga, mas sim a incomunicabilidade forçada dos jovens que a frequentam. E o volume ensurdecedor que impede o verdadeiro contacto humano, favorecendo antes o mais desumano e animalesco.
Paradoxalmente, no meio de tanto barulho, quem triunfa é o silêncio. O silêncio que «cresce como o cancro». Nas discotecas, os jovens têm a ilusão de estar acompanhados. Na realidade, porém, cada um é protagonista da sua própria grande solidão.
Ultimamente, o fenómeno das discotecas tem-se vindo a expandir de forma preocupante, chegando a atingir faixas etárias cada vez mais baixas.
Em certos locais, em determinadas praias e em particulares locais de veraneio, tem vindo a difundir-se a triste moda das chamadas «discotecas para crianças». Como é natural, neste caso, não se consome droga nem bebidas alcoólicas, mas mantém-se, de qualquer modo, o grave problema da educação para a incomunicabilidade.
O mecanismo que leva os pais a abandonar os filhos em certas «mini discotecas» é o mesmo de quem coloca as crianças frente à «TV-baby sitter». Não importa a qualidade daquilo que se vê ou daquilo que se escuta. O importante é «arrumar» os miúdos em qualquer parte, para depois os «ir buscar» no momento oportuno, como se de um depósito de bagagens se tratasse.
Deste modo, as crianças são «educadas», desde pequenas, como futuros frequentadores de discotecas, com todas as consequências daí decorrentes.
Outro aspecto interessante a considerar é o do exibicionismo. A discoteca está a transformar-se, cada vez mais, num grande palco, onde os jovens tendem a exibir as excentricidades ditadas pelas últimas modas.
A expressão mais evidente de tal fenómeno é a bizarra moda das tatuagens e do piercing (anéis, grandes ou pequenos, que são utilizados para «decorar» várias partes do corpo). Também neste caso há raízes esotéricas, que descobriremos no próximo capítulo.
segue: Um documento importante
Carlo Climati
Os jovens e o esoterismo
Lisboa, Paulinas, 2001
Excertos adaptados